
Corrias prados verdes em jogos de sentinela
Com tuas aias de cetim aos ombros
Vivias no ontem permanecida de negro brilhante
Que encantava o teu sorriso corado
Dançavas noites de tílias e cidreiras
Que colhias nos jardins de Éden
Do teu palácio branco onde o silêncio florescia
A cada lago que lhe pousavas
Cantavas em harpas de cristal puro
Com voz de rainha leve, mais leve que uma dança
Os teus dedos percorriam o preto e o branco
Das teclas de um piano que te enfeitava os dias
Com as mãos compunhas coisas do coração
Para te aconchegares nas noites felizes
A trote chegou o inimigo…
Colheste o sangue vermelho do teu amado Rei
Com as lágrimas e tristezas de uma rainha
Onde o lago se inundou de ódios e espadas perdidas
Ias e vinhas, solitária e transparente de mágoas
E as memórias das coisas já te açoitavam
O lado menor dos Homens impacientes
Em sombras amargas de emboscadas pérfidas
Rasgaste a leveza doce no último sopro do teu amado
Embainhaste a sua espada como num sono inquieto
Subiste as escadas solitárias de angústias
E gritos de aias trespassados à tua passagem
Mal chegaste…
Já não voltaste…
E nos fundos dos caminhos
Te extinguiste…
No chão dos teus aposentos
Escancarado ficou de sangue manchado
O teu vestido de véspera libertado…
Manuela Fonseca