
O mundo foi mais perfeito, durante uma infinidade de anos onde as conversas fluíam, aconteciam de modo natural e quando o silêncio se aproximava era para nos segredar palavras escondidas a bailarem nos nossos corações. Repartíamos pedaços de “pão” nos “pratos” de cada uma. Um dia, acreditei nesta amizade… Hoje, após fazer o luto dela durante semanas a fio, levanto o braço e com a mão entrego-lhe o gesto do adeus.
A amizade é uma filigrana de encontros. Ninguém sabe, antecipadamente, se haverá ou não um encontro. O encontro é sempre imprevisível, inesperado. Como a felicidade, que já não está onde a procuramos, onde a esperamos como caçadores em guarda. Se procuramos ansiosamente a felicidade, se a queremos, encontramos mais frequentemente a desilusão. A felicidade aparece de improviso, quando não pensamos realmente nela, como se nos seguisse e esperasse, para se revelar, enquanto estivemos distraídos.
O riso era o segredo universal do nosso entendimento. O mais difícil já tínhamos conquistado: equilíbrio e confiança. Mesmo que nenhuma de nós soubesse o que queria, para onde ia e como lá chegar.
A vida só me ensinou a aceitar as diferenças que reconheço mas não explico, apesar de viver a decifrar os sinais da vida dentro dos meus conhecidos e eternos labirintos.
Manuela Fonseca