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domingo, 9 de setembro de 2007

Carta a mim mesma


Hoje, acordei de manhã e vi-me especial. Assim, especial só para mim. Libertei-me de todas as arenas empoeiradas que me sufocavam a garganta em silêncios bafejados de espadas afiadas, mergulhadas num medo inseguro do qual me acuso.
Agora é tempo de arrumar as gavetas do medo, divisões certeiras conjugadas em mim. Daqui a uns anos vou divorciar-me de outros anos e voltar a casar com os anos do sorriso, aquele sorriso em que me revelo por inteiro, quando vejo uma criança ou cheiro o alecrim que está no roçar da minha rua.
A minha rua é tão bonita de flores e árvores e bancos de jardim! A rua que foi de mim, dos meus filhos e, agora, dos meus netos. É uma rua de descendentes, de amores-perfeitos em corações, às vezes, desfeitos…
Vou aprender a voar nas asas de um pássaro qualquer, para entregar recados de amor, recados de mim, retalhados em linhas quadradas num caderno jasmim. Logo a seguir, quero mais coisas! Estou tão estonteante nestas minhas ideias que quero transformá-las em cafés da manhã, mesmo que esses cafés não sejam mais que um simples iogurte onde sempre me hei-de beber.

E, um dia, caminharei em caminhos naturais
Mundo só meu… Onde só eu poderei sair, sem entrar…

Manuela Fonseca

4 comentários:

Vera disse...

Minha querida, sabes uma coisa? Tu és realmente especial! E o teu Mundo é mais que perfeito, porque tu existes nele e porque eu te adoro!

Beijo grande

PALAVRAS Á SOLTA disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
PALAVRAS SOLTAS disse...

Manuela,
tens um dom muito especial, usas as palavras de uma maneira tão agradável e simples, que fazem da tua poesia um doce muito agradável...
Um beijinho da Lurdes

Cláudia disse...

Este texto-poema, permita-me que assim lhe chame, torna qualquer pessoa especial através da delicadeza com que usa as palavras, a forma como as conjuga. A felicidade que este texto nos traz é imensa e imenso é, também, o poder que nós temos de transformar as coisas, basta querer.

Beijinho***