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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

O perfume do peixe


O perfume do peixe saltitando na areia molhada
O barco anoitecendo em algas arrastadas
E eu sentada no muro do Tempo
Enroscada no habitual xaile de cores desbotadas
Olhava o mar que se esvaziava de águas azuis

Os homens gritavam as horas sugadas
Em dias de longas esperas
Fumando o cigarro mais barato
Esperando à proa que o isco puxasse
Na derrota do perfume do peixe que nele se fiasse

Enroscada ao meu habitual xaile
O tal das cores desbotadas
Levei dois peixes em papel pardo
Que não derretia o seu perfume intenso
E dei-os de presente a mim mesma
Numa mesa de dois lugares
Onde só um era ocupado
De culpas e saudades
Na traição de um mar azul
Aparentemente, sossegado…

Manuela Fonseca

2 comentários:

Vieira Calado disse...

É a 1ª vez que leio este "ensaio poético".
Gostei.
Bom fim de semana.

Rosa Maria Anselmo disse...

olá Manuela
Que perfume este...
parabéns um belíssimo poema
jinhos amiga
Rosamaria