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sábado, 20 de outubro de 2007

...incógnita


Tropeçava devagar (no seu vagar)
Entre espigas e searas do tempo
Acariciava com os dedos
A coragem suavizada
Pelo olhar invulgar
De filha incógnita...

O riacho da sua dor
Tinha a cor transparente e lúcida
Da rejeição
Imputada e amputada
No ruído delirante
Da demência da alma (alma sua)

E a lágrima ancorada
Sombreou o riacho
Transbordando em desejos antigos
Agora evacuados de um coração
Em searas de angústia

Paralisou a vida
Secou o cabelo à solidão
E nas mãos
Arredondou o regaço
Num suave despertar
E nele arrecadou
O Ser incógnito
De uma filha...

-Filha de ninguém

Manuela Fonseca

2 comentários:

Paulo Afonso disse...

Comentarei pessoalmente!
Beijo grande

Rosa Maria Anselmo disse...

Olá Nelita
dizer apenas..... Belo Poema!
jinhos
Rosamaria