
Sou carne da minha carne
Pedaço de lama atirado ao vento
Na raiva que domina o pensamento
Sou o fardo que ninguém quer
Sou alma doente de um perigo iminente
Que paira sobre o malmequer
Sou tormento mais amargo que o fel
Lenha incandescente na mão do inimigo
Em chama ardente queimando-lhe a pele
Sou lixo oriundo das Índias
Que a ventania traz consigo
Sou o Outono da Primavera
Nuvem negra no céu azul
Sou ruína cercada de hera
Triste fim de uma quimera
Que habitou os mares do Sul
Sou sangue do teu sangue
Rejeição da tua carne
Sou náufrago angustiado
Num Oceano tenso e revoltado
Sou pó que a Terra arde
Choro desconsolado
Cria privada de correr
Sou fruto dum gesto viciado
Que por ti foi rejeitado
Num longo caminho a percorrer…
Manuela Fonseca
4 comentários:
mana está linda adorei ,como eu sempre te disse tu tens alma de poeta ,força estarei sempre contigo ,te adoroooooooo por seres quem és ,,jokinhas da mana que te ama
Amigona, está lindo, é um dos teus melhores poemas, na minha opinião claro.
Excelente.
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