quarta-feira, 26 de setembro de 2007
domingo, 23 de setembro de 2007
Tristezas de uma rainha

Corrias prados verdes em jogos de sentinela
Com tuas aias de cetim aos ombros
Vivias no ontem permanecida de negro brilhante
Que encantava o teu sorriso corado
Dançavas noites de tílias e cidreiras
Que colhias nos jardins de Éden
Do teu palácio branco onde o silêncio florescia
A cada lago que lhe pousavas
Cantavas em harpas de cristal puro
Com voz de rainha leve, mais leve que uma dança
Os teus dedos percorriam o preto e o branco
Das teclas de um piano que te enfeitava os dias
Com as mãos compunhas coisas do coração
Para te aconchegares nas noites felizes
A trote chegou o inimigo…
Colheste o sangue vermelho do teu amado Rei
Com as lágrimas e tristezas de uma rainha
Onde o lago se inundou de ódios e espadas perdidas
Ias e vinhas, solitária e transparente de mágoas
E as memórias das coisas já te açoitavam
O lado menor dos Homens impacientes
Em sombras amargas de emboscadas pérfidas
Rasgaste a leveza doce no último sopro do teu amado
Embainhaste a sua espada como num sono inquieto
Subiste as escadas solitárias de angústias
E gritos de aias trespassados à tua passagem
Mal chegaste…
Já não voltaste…
E nos fundos dos caminhos
Te extinguiste…
No chão dos teus aposentos
Escancarado ficou de sangue manchado
O teu vestido de véspera libertado…
Manuela Fonseca
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
As lágrimas de um pai

Quantas lágrimas te caíram
Nesses teus caminhos de fome
E pobreza, pai?
Quantas perguntas
Não sabias fazer em idades
De destinos que esperavas diferentes, pai?
Quantos mares desbravaram
Os teus segredos e medos, pai?
Quantas dores se rasgaram no teu peito
Imperfeito por nascença, pai?
Quantas perguntas foram caindo
E ficando por fazer em cada dia
De uma infância a crescer, pai?
Quantas esperanças perdidas
Em anos de fantasias
De utopias
De morrer em ansiedade…
Quantas batalhas ganharam
Nessa tua luta dobrada
Labuta de trabalhos intocáveis, pai?
Quantas estrelas contaste à noite
Antes do sono chegar
Em dias de te arrasar, pai?
Quantas refeições comeste a uma mesa
De linho imaculado
Num ímpeto de perdas e sorrisos
Mal esgueirados, pai?
Quantas vezes pensaste
No teu desconhecido pai
Quando olhavas as palavras
Ainda sem saberes ler, pai?
Quantas lágrimas engoliste
Para não te sentires fraco, pai?
Amo-te, pai!
Manuela Fonseca
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
O perfume do peixe

O perfume do peixe saltitando na areia molhada
O barco anoitecendo em algas arrastadas
E eu sentada no muro do Tempo
Enroscada no habitual xaile de cores desbotadas
Olhava o mar que se esvaziava de águas azuis
Os homens gritavam as horas sugadas
Em dias de longas esperas
Fumando o cigarro mais barato
Esperando à proa que o isco puxasse
Na derrota do perfume do peixe que nele se fiasse
Enroscada ao meu habitual xaile
O tal das cores desbotadas
Levei dois peixes em papel pardo
Que não derretia o seu perfume intenso
E dei-os de presente a mim mesma
Numa mesa de dois lugares
Onde só um era ocupado
De culpas e saudades
Na traição de um mar azul
Aparentemente, sossegado…
Manuela Fonseca
terça-feira, 18 de setembro de 2007

Caros colegas e amigos,
O lançamento do meu 1º livro de Poesia " No Limiar das Palavras ", será no próximo dia 29 de Setembro, pelas 17 horas, na Biblioteca Municipal da Amadora.
Será um dia especial, para mim, que muito gostaria de partilhar com os meus amigos e poetas!
Apareçam e dividam este momento ao meu lado. Terei um miminho para todos.
Um muito obrigado, desde já!
Beijinhos desta vossa amiga
Manuela Fonseca***
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Filhos da mãe!

Nasciam Homens
No perfil aquilino
De uma guerra esgueirada
Sem mentes esquecidas
Os Homens tornavam-se animais
De anjos trincados
Pelo sabor agridoce
De um Mundo ansiado
De coisas maiores
De certezas melhores
E de sangues menores
Alá!
Em nome de Alá
Matam-se os Homens
E escoam-se os sangues
Inocentes de Fomes!
Filhos da mãe!
Manuela Fonseca
domingo, 9 de setembro de 2007
Carta a mim mesma

Hoje, acordei de manhã e vi-me especial. Assim, especial só para mim. Libertei-me de todas as arenas empoeiradas que me sufocavam a garganta em silêncios bafejados de espadas afiadas, mergulhadas num medo inseguro do qual me acuso.
Agora é tempo de arrumar as gavetas do medo, divisões certeiras conjugadas em mim. Daqui a uns anos vou divorciar-me de outros anos e voltar a casar com os anos do sorriso, aquele sorriso em que me revelo por inteiro, quando vejo uma criança ou cheiro o alecrim que está no roçar da minha rua.
A minha rua é tão bonita de flores e árvores e bancos de jardim! A rua que foi de mim, dos meus filhos e, agora, dos meus netos. É uma rua de descendentes, de amores-perfeitos em corações, às vezes, desfeitos…
Vou aprender a voar nas asas de um pássaro qualquer, para entregar recados de amor, recados de mim, retalhados em linhas quadradas num caderno jasmim. Logo a seguir, quero mais coisas! Estou tão estonteante nestas minhas ideias que quero transformá-las em cafés da manhã, mesmo que esses cafés não sejam mais que um simples iogurte onde sempre me hei-de beber.
E, um dia, caminharei em caminhos naturais
Mundo só meu… Onde só eu poderei sair, sem entrar…
Manuela Fonseca
sábado, 8 de setembro de 2007
A dor do pensamento

Dói-me pensar
Que andei de noite
Entre silêncios e sedes de mim
E que só a Lua, escondida e secreta
Me guiava os passos de dor.
Doíam-me os perigos
Que me apressavam os pés
No desespero que me quero esquecer
A solidão ecoava em cada canto
Sinal do medo que vivi
No vento que me humilhava
Na tão pesada dor
Em que toda eu me dobrava…
Em miragem à minha fraqueza
A poeira me cercava e rodeava
De coisas que nunca vivi
E a minha alma apodreceu
Na pureza do pensamento
Que sempre persegui
E eu vi que nada em mim
Era a monstruosa voz que me declinava
E me transformava
Delirante e perdida
Fugida de gestos violentos
Que me espantavam a serenidade
Na dor do pensamento…
Manuela Fonseca
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Prémio Caneta de Ouro

Fui indicada para o "PRÊMIO CANETA DE OURO – POESIAS 'IN BLOG' 2007", idealizado por ANDRÉ L. SOARES e RITA COSTA. Para conhecer as regras deste evento clique AQUI. Participe!
Aqui deixo os meus poetas escolhidos:
- Poema: PARABÉNS FILHOTA
- Autora: Vera Silva
- Blog: http://prosas-e-versos.blogspot.com
- Poema: A dança
- Autora: Rosa Maria Anselmo
- Blog: http://ocantodarosa.blogspot.com
- Poema: BAÚ
- Autor: Paulo Afonso
- Blog: http://poesiadepauloafonso.blogspot.com
- Poema: O teu olhar mãe
- Autora: Conceição Bernardino
- Blog: http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com
- Poema: Ecos da Alma
- Autora: Vanda Paz
- Blog: http://www.nectardaspalavras.blogspot.com
Um grande beijinho a todos!
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Certificado
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Sem remetente

Uma carta perdida
Bailada em distâncias
A carta que não permite…
O carteiro veio
Suado do sol
E do peso dos dias
Tocou à minha porta
Ele toca sempre à minha porta
Desta vez, de face multiplicada
De desculpas e remorsos
Entregou-me de mãos vazias
A carta sem remetente…
Não trazia remetente
Nem destinatário
Apenas o selo de cores indolores
De um cavaleiro solitário
No meu dedo apoiado…
Tu, meu remetente
Porque não vieste no destinatário?
Manuela Fonseca
domingo, 2 de setembro de 2007
Ajudem-me a morrer!
Tenho cinco espadas na mão

Tenho cinco espadas na mão
Cinco espadas
Ao entreter da minha mão
Inventadas e seduzidas
Dentro de mim
Três espadas de aposentos
E duas de jardim
Cuido delas com o carinho
Na ternura que o Rei me deu
Há dias em que choro
Dias em que me alegro
Neste castelo que é só meu
E no salão de esgrima
Adormecida
Amando as minhas cinco espadas
Nesta vida que me passa
E me repassa
Esperando aposentos lentos
Nestas minhas estadas
Com a mão de cinco espadas...
Manuela Fonseca
Subscrever:
Mensagens (Atom)