
Vou-me sentar, preciso de escrever
Mas primeiro vou apagar as luzes
Do meu entardecer
Agora sim!
Descanso os bolsos das pernas
E volto a mim
A Rosa disse-me que ninguém
A reconheceu naquela festa
Porque tinha pintado o cabelo...
Olha que disparate!
Francamente!
As pessoas já não se reconhecem
Pelos olhares cruzados
Precisam de esferas sociais
Onde são todos iguais
Chacais!
Fazem do sorriso
Um lugar idiota
Poliglota
Tipo agiota.
E as mãos são frias por defeito
Tal como o coração imperfeito
Fazem charros
Em bebedeira encarnada
Matam o tempo
Em horas que sugam o nada
Da voz que fica entalada
A acidez de coisas destas
Enoja-me!
Enfastia-me!
E eu não perco o bocejar
De tanto me enjoar
Vou à cozinha
E vou-me deitar...
Manuela Fonseca
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