A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas
e janelas, eles se escondem.
O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada.
- Osho -
sábado, 29 de setembro de 2012
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Equilíbrio

Que faço aqui no silêncio do castelo
Severo e prolongado?
Porque perco o riso dos dias
No sossego disciplinado
Repetindo a rotina harmoniosa
Que me insulta?
Porque não encontro
O amealhar do esquecimento
Neste canto equilibrado?
Quando aceito a vinda de alguém
Esbarro na ausência d’emoção
Na contagem dos afectos
Calo o desejo
E adormeço à procura de um sonho
Pensamento miserável…
Manuela Fonseca
domingo, 22 de julho de 2012
O meu blog fez 5 anos no dia 14 de Junho do corrente ano.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Talvez...

...talvez um dia, te volte a beijar como me ensinaste.
...talvez um dia, te volte a ver, com a dor que essa imagem acarreta.
...talvez um dia, o teu olhar me volte a falar das coisas achadas que nunca se perderam, no tempo.
...e, talvez um dia, me falte o amor para dar lugar às melhores memórias da minha vida.
...Talvez, um dia...
...talvez um dia, te volte a ver, com a dor que essa imagem acarreta.
...talvez um dia, o teu olhar me volte a falar das coisas achadas que nunca se perderam, no tempo.
...e, talvez um dia, me falte o amor para dar lugar às melhores memórias da minha vida.
...Talvez, um dia...
Manuela Fonseca
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Tenho apenas dois pertences
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Na ponta da memória

É como se tivéssemos crescido juntas, porém, um dia ela saiu pela porta das traseiras e eu saí pela porta da frente.
No jardim, nunca mais nos reencontrámos. Cada uma de nós seguiu o caminho da outra...
Quase todas as janelas eram quase todas as portas da casa.
De que tínhamos medo? Que os pássaros mudassem de árvores e não mais voltassem a voar.
Trinta anos depois...
Continuamos a desgastar a estrada do mesmo Universo que nos uniu.
O medo já não nos pertence e os pássaros continuam lá...a voar.
Manuela Fonseca
terça-feira, 15 de maio de 2012
Angústia de Mortais

Dueto: Natália Canais Nuno/Manuela Fonseca
Debandam pássaros em alvoroço
Rezo meu rosário de contas
Ato a vida p'las pontas
Sopra o vento, não o ouço!
Canteiros de flores e besouros
A fragância da terra molhada
Há risos e sufocados choros
A hera sobrevive à geada
Meu rosto já sem idade
Esconde-se nos dias sempre iguais
Ah...coração, que tenacidade!
Teu bater nunca é demais.
Acorrem a avisar-me...
Que sou sombra duma lenda!
Hão-de os pássaros lembrar-me
Já que Poeta...não há quem entenda.
Depois de eu morrer
Então sim, é a valer
Até as beatas perdidas
Que – juro – nunca fumei
Serão pedaços de alquimias
Herança que vos deixei
Depois de eu morrer
E do poema se fartar
De contar e escolher
Lendas de encantar
Rezarás contas de ler
Forçadas para rimar
Depois de eu morrer
Hão-de ouvir dizer
A palavra foi de génio
As aves voaram amor
E a morte lhe dará prémio
Outro brilho, nova cor.
14/05/2012
sábado, 12 de maio de 2012
Lua triste

Se eu te pudesse dizer
O que sinto em cada depois
A cor que o céu derrete
Em cada noite de lua triste
Trazias-me o lugar dos olhares
Pela estrada das praias vazias
Se eu me pudesse recuar
Para o tempo de ontem
E por ele chegar-me a ti
Rodarias o ferrolho da porta
Por entre a fiada das acácias do outono
Seguindo a lua minguante convexa
Escuto-te sem te saber
E trago-te (em) olhares de magia
Com as preces que inundas de cores
Estradas vivas de alegrias.
Não recues nem recuses
Que o tempo também pode ser
Paragem de pensamento
E o amor um lamento
De quem asfixia o vento
Dá-me a mão de lua cheia
Que o caminho é cor do céu
Inventa-te na amizade alheia
Nessa ternura de véu
Diáfano de sorrisos doce
Na transparência de lua triste
Existe um choro precoce
Em todos os corações que sentiste.
Dueto: Anamar/Manuela Fonseca
12/05/2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
CORRUPÇÃO

Dentro de uma estrada mística
De buracos preliminares
Aconteceu o percurso vazio e rasgado
Trânsito ausente
De sinais e semáforos
Andei os quilómetros do Futuro
Com sapatos de Ontem
Tropecei nas zebras relevantes
E atirei-me para debaixo
Das rodas quadradas
De um veículo vermelho e perverso
Mais tarde…
No asfalto verde nojento
Ficou a cor imunda da alma
Numa desconhecida poça
De indiferença e desprezo.
Manuela Fonseca
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Pedaços de vida...

Com a mão trémula, desviei a cortina da janela de madeira escura e vi aquelas crianças na rua a jogarem à bola com a mesma alegria com que tu me beijavas o rosto, ao chegares a casa. O meu sorriso, igualmente trémulo, estava hoje emoldurado pelas rugas vincadas do tempo. A minha respiração embaciava o vidro quadrado da janela, única passagem que me restava para o mundo exterior. Com um gritinho de felicidade deixei a cortina deslizar, ajeitando-a até onde podia. Rodei a cadeira de rodas na direção do nosso casamento, pendurado há sessenta anos, na parede da sala de jantar. Como eras belo! O teu olhar apaixonado ofuscava a pureza do meu vestido de noiva.
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