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sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Não me mates só por matar


Não me mates só por matar
Mata-me a fome
E arrecada o pão
Que não te atormenta
Para me matares amanhã
De novo

Mata-me de olhares de amor
Não com o brilho da piedade
Não me mates de pena
Mata-me em gestos de carinho
Com afagos sem balas perdidas
Nem certeiras!

Mata-me a sede
Com o copo que te enfeita as manhãs
De todos os dias
Não me mates a vergonha
De ser filho do outro lado da vida
Mata-me o silêncio
Que me escorre nas faces
Em dias de chuva
Onde purifico o corpo

Os mesmos dias em que não purificas a alma
Por não lhe conheceres a esquina do seu grito…

Não me mates só por matar

Mata-me o princípio de ti
Que termina no resto de mim…

Depois
Se te quiseres matar
Mata-te!

Mas deixa-me ficar
Continuar neste meu sóbrio desejo
De lutar!

Manuela Fonseca

Lara Li - Telepatia

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

E foi naquela ausência


E foi naquela ausência
De presença
Lareira em forma de Castor
Que te bebi o silêncio
Do mundo inteiro
Conheci cada traço
De todos os teus gestos
E as palavras procuravam-se
Sofregamente
No abraço apertado
Em que deixei de estar viva
Para renascer
- Repentinamente!
Em busca do teu olhar
Arredondado
Igual ao meu
Num rosto tão secreto
- Pecador
- Amador
Pelo sorriso atrasado

E na tua ausência
Estava a minha presença!

Manuela Fonseca

Me and Mrs Jones

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Sentei-me no parapeito da janela


Sentei-me no parapeito da janela
Com a claridade a dar-me na alma
Sem desvendar olhares
Nem contar os gestos que paravam
Para me falarem coisas
De outras esquinas
Onde os braços se tinham cravado
Um dia…

A ponta dos dedos adormecia
Na voz quente que os embalava
Os traços não definiam
O perfil das histórias consoladas
Nem o vento passava
Onde os braços cansados
Repetiam calados
As mesmas histórias
Livres e ordenadas
Que
Um dia…

Foram contadas.

Manuela Fonseca

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Olhares que trouxe comigo...






Olá meus amigos e poetas destes meus ensaios!


Estive fora uma semaninha, revendo a linda cidade de Seia e Covilhã.Comprando aqueles queijos e requeijões que só a Serra da Estrela me sabe, tão bem, apaladar. Também a visitei, subindo-a já com saudades na descida... Foram dias de descanso que tanta falta faziam à minha alma, no seu recanto mais "infantil"...

Já na despedida, ou quase, estive 3 dias na Atalaia, um lugar que nunca dispenso pela sua beleza, silêncio, céu estrelado, estupidamente belo de estrelas, onde posso vislumbrar a Via Láctea que me põe a sonhar com algo melhor...

Àparte isto, um magusto bem feito e delicioso.

Como é bom vestir a alma de campo e do seu silêncio, deixando que a Serra me espie e me acaricie com as suas soberbas ondulações.

O Outono tem encontros de luz e cores que se enquadram no lado mais ímpar do meu coração.

Às vezes, sou tão feliz! Porque a felicidade é isso mesmo..."às vezes".

Deixo-vos aqui alguns olhares que trouxe comigo.

Beijinhos grandes para todos***

Manuela Fonseca