
Não me mates só por matar
Mata-me a fome
E arrecada o pão
Que não te atormenta
Para me matares amanhã
De novo
Mata-me de olhares de amor
Não com o brilho da piedade
Não me mates de pena
Mata-me em gestos de carinho
Com afagos sem balas perdidas
Nem certeiras!
Mata-me a sede
Com o copo que te enfeita as manhãs
De todos os dias
Não me mates a vergonha
De ser filho do outro lado da vida
Mata-me o silêncio
Que me escorre nas faces
Em dias de chuva
Onde purifico o corpo
Os mesmos dias em que não purificas a alma
Por não lhe conheceres a esquina do seu grito…
Não me mates só por matar
Mata-me o princípio de ti
Que termina no resto de mim…
Depois
Se te quiseres matar
Mata-te!
Mas deixa-me ficar
Continuar neste meu sóbrio desejo
De lutar!
Manuela Fonseca








