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sábado, 14 de julho de 2007

Nada fazem contigo!


Nada fazem contigo
As imagens passam a correr
E nada trazem contigo
No medo de morrer

Encharcado em movimento
O teu olhar ficou parado
Como se falar abocanhasse o tormento
Coração crescente de calado

Manuela Fonseca

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Eu que procuro


Eu que procuro o amor
E o detesto
Eu que tudo não amo
E nada careço
Apesar desta busca constante
Irrequieta

Donde me vem ainda
A força das mãos?

Tanto vendaval inútil
Me estraçalhou
Para ficar detida
Nesta ténue rosa-dos-ventos

Afinal, tenho sempre o mesmo
Afiada e não arranhada
Num sonho que não mentia

Busco sempre a ofensa em mim
Naquilo que sai de ti

Quero falar e calo
Quero cantar e oiço
Quero viver e não deixam!

Só faço o que não importa
Só penso o que não preciso
Só me deixam o que não interessa!

Ah! Para que lado foste
E nunca me viste?

Manuela Fonseca

REJEIÇÃO


Sou carne da minha carne
Pedaço de lama atirado ao vento
Na raiva que domina o pensamento

Sou o fardo que ninguém quer
Sou alma doente de um perigo iminente
Que paira sobre o malmequer

Sou tormento mais amargo que o fel
Lenha incandescente na mão do inimigo
Em chama ardente queimando-lhe a pele

Sou lixo oriundo das Índias
Que a ventania traz consigo
Sou o Outono da Primavera
Nuvem negra no céu azul
Sou ruína cercada de hera
Triste fim de uma quimera
Que habitou os mares do Sul

Sou sangue do teu sangue
Rejeição da tua carne
Sou náufrago angustiado
Num Oceano tenso e revoltado

Sou pó que a Terra arde
Choro desconsolado
Cria privada de correr

Sou fruto dum gesto viciado
Que por ti foi rejeitado
Num longo caminho a percorrer…

Manuela Fonseca

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Sete!


Sonhei sete pães
Sete sementes

Sete águas
Sete camas
Sete escolas
Sete esperanças

Sonhei
Sete crianças
Sete sorrisos

Acordei
Com sete lágrimas…

Manuela Fonseca

domingo, 1 de julho de 2007

O teu ascendente


Quando nasceste?
Ano?
Mês?
Dia?

Deixa-me sentir o teu ascendente...
Deixa-me conhecer-te melhor...

Deixa-me afagar-te
No abandono
Que te deram
À tua primeira lágrima.

Manuela Fonseca

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Entra nas Arenas!


Deixa-te cair
Nos braços de gladiar
Luta!

Entra nas Arenas
Do teu pensamento
E conquista os segundos
De todas as vitórias
Caídas no Chão

Homens embainhados
De Secretus Cavalgus
Ali despojados

Deixa-te cair!

Manuela Fonseca

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Bandeira de Vendavais


Longe do racional
Urge a Pátria do meu ser
Caminho lento e corajoso
Entre ruínas e ervas bravas

Bandeira de vendavais
Pano secreto
Da coragem sufocada
Oculta em aparências inúteis
Que se exibe
Num punhado de sentimentos
E tempestades de frustração

No momento da derrota
Iço a bandeira aos céus
Orgulhosa e prepotente
Num misto de tolerância e espaço
Inventados por lágrimas sentidas.


Manuela Fonseca

segunda-feira, 25 de junho de 2007

No Limiar das Palavras


Palavras ditas
E reditas
Eco transcendente
Da voz que grita
Esgar único de um rosto firme

Sim…
Talvez nos encontremos
No limiar dessas inúteis palavras

Porém, tão longe…

E na pressa de nos abraçarmos
Inventar-nos-emos
De secretos desejos
Profundamente alojados
Em crianças descalças
Curiosas de amor
Chorando palavras cheias
Molhadas em adágios de timidez
Ou talvez, em bichos vernáculos
Vindos de guerras semeadas
Onde as espigas já eram cinzas recentes
De searas semelhantes

Sim…
E de tão longe…
Talvez nos aproximemos ali
No limiar das palavras.


Manuela Fonseca

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Regresso à Insurreição


Acendiam-se poetas
Nos sorrisos mortos dos Homens
As feições extravasavam
Lutas de mãos paradas
E nos bolsos rasgados
Das pernas
Tombavam olhares
De dar a volta ao Mundo.


Manuela Fonseca