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sexta-feira, 28 de maio de 2010

É porque cada minuto foi vivido...



Se as gentes me doem ao passar
é porque cada minuto foi vivido

por mim...

por elas...

lutas definitivas
de amores demorados
passos encontrados
em sorrisos perfumados

é porque cada minuto foi vivido...



Manuela Fonseca

terça-feira, 18 de maio de 2010

Dá-me o pão que te fica intacto


Dá-me o pão que te fica intacto
Para que as minhas mãos
Se aninhem em concha
Qual sonho de criança feliz
Sem abutres atentos
Ao tombo da morte que se adivinha

Sem alcances à tua vida
De falsas sedas
E punhados de mentiras
Cristalizadas
Na gargalhada bêbeda
Que a noite destapa
No vazio do teu dia

Oferece-me esse pão que te fica intacto

Manuela Fonseca

quinta-feira, 13 de maio de 2010

E foi assim a tarde de ontem... Amizade e palavras entrelaçaram-se em abraços e sorrisos!

Meus amigos,

O espaço "Comicios & Bebicios" é pequeno e acolhedor. As pessoas que me acompanharam foram poucas. Mas tive lá os meus queridos pais, um filho que me foi dar um beijinho (estava doente...)

Enquanto as palavras da Mel não se soltavam do papel, conversámos e, ainda, brincámos um pouquinho. Eis que aparece, sem aviso, o amigo, escritor e meu editor Paulo Afonso Ramos. Confesso que não esperava e fiquei muito feliz! Obrigado Paulo!

A música de fundo que eu levei (Diana Krall) calou-se. E foi o início da Apresentação.

- Paulo Afonso Ramos representou a editora e, muito bem, como seria de esperar.

- No momento seguinte, surge a Apresentação da amiga e escritora Mel de Carvalho:

"O "O Último Beijo" de Manuela Fonseca é, e digo-o aqui peremptoriamente, um livro/romance - revelação.

Revelação no sentido em que, não só revela, inequivocamente, o potencial lírio e poético da autora em coadjuvação com o seu potencial emergente no domínio da prosa, da narrativa, como - e na minha óptica o mais importante, o mais sublime - , revela a interioridade, o que de melhor e pior se oculta por detrás de cada um de nós, seres humanos.

É, assim o li, um romance, que não sendo em absoluto "apenas autobiográfico" é catarse; um romance em que Manuela Fonseca faz a exorcização dos seus fantasmas ( que são os fantasmas comuns a muitas mulheres, infelizmente...) ao mesmo tempo que nos coloca em mãos, qual terapia ao alcance de todos nós, e a um custo zero, um caminho...

Um romance em que "o sonho comanda a vida", e em que se discute a questão tão pertinente e sempre actual, sobre a "insustentável leveza do ser" ou, para ser mais clara, a questão de que, homens e mulheres, enquanto seres gregários que são, estão, digamos, que "programados" para partilhar a vida, o dia-a-dia, o quotidiano com outros seres, malgrado dores e vicissitudes, desilusões e sofrimentos, regenerando, reconstruindo trilhos dentro de si mesmos, no sentido de se reencontrarem plenos, livres em liberdade de se sentirem "amarrados" ( vidé, a propósito o belíssimo extracto de " O Principezinho" de Antoine de Saint-Exupéry, citado no último capítulo)...

O caminho que este romance nos indica, é um caminho ao alcance de todos nós, portanto. E esse caminho, é um caminho de laços e afectos, de ternuras e cumplicidades que, desde logo se cimentam no plano relacional da estrutura primeira - a família de proveniência (os pais, os avós) que se maximiza nos filhos e que se ancora na amizade de e para com Inês, amiga de longa data...

( Inês é, portanto, a âncora de Bea ou Beatriz, sendo que Bea é - abro aqui
um pequeno parêntese, levanto o véu -, a personagem principal, a mulher
de sete ofícios, a lutadora, a sonhadora, a que sofre, a que chora, a que
se relega por vezes a planos menores, de limbo e apatia, mas também a que
nunca desiste de ser mãe, de ser a amiga e, por fim, de ser a amante/amada
- esposa, mulher plena e realizada. Mas sempre filha, mãe, amiga...e
sempre Mulher.)

Pelo caminho, neste caminho, surgem outras e não menos importantes personagens, num romance actualíssimo, onde se cruzam, cerzindo, teias de afectos geradas no plano dito de proximidade e vizinhança (trabalho, bairro, rua...) às só possíveis no século XXI, com recurso às novas tecnologias, por via das auto-estradas da informação. Assim desabrocham e crescem novas amizades, uma das quais destaco, com uma terceira mulher, decisiva no rumo da história, a que a autora, em boa hora decidiu dar o meu nome ( e porque vejo nisto um gesto generoso de amizade, te agradeço, Manuela - "bem-hajas, Manuela"...). E neste caminho, nesta "auto-estrada"...nasce um novo amor...

Não pretendendo ser exaustiva, e em jeito de síntese, destaco então a coerência que resulta do que, num primeiro olhar poderia parecer uma "manta de retalhos" de diferentes géneros: narrativa/prosa poética/poesia/epistolas ou, usando o texto de capa (verso) do livro, o somatório de um olhar sobre "um conjunto de fotografias desarrumadas numa caixa..."

Mas não, e não de todo. O conjunto é, de sobremaneira, maior do que as partes. O conjunto é harmónico e belo.

A coerência, portanto. Para além da beleza, para além do íntimo, da coragem, da assertividade no uso da palavra, nas remissões ao mundo de Beatriz e Inês, em que a música, a literatura, a paisagem (a vista e a imaginada) são passaportes para viagens igualmente íntimas e roteiros abertos que a Manuela Fonseca aqui nos deixa, com um "último beijo"...até ao próximo.

Por fim, atrevo-me a ler, o que me prendeu de imediato a este livro: a capa, o verso... (que a Manuela dedica a todas as mulheres)

(...)

E finalmente, agradeço-te, Manuela, pelo convite a estar aqui a teu lado neste alimento de alma que é, em nós, a partilha da palavra...
Bem-hajas! Um beijo...um último beijo...até ao próximo.

Mel de Carvalho

12 de Maio de 2010"

Amigos, nada mais tenho a acrescentar (apesar de umas palavras que disse...), apenas, um muito obrigado à Mel de Carvalho por ter aceitado o meu convite e um abraço enorme ao Paulo Afonso Ramos por estar presente a representar a editora Temas Originais.

Aqui ficam testemunhos da tarde de ontem com carinho, para todos vós.

Um beijo a todos...não o último, certamente :)

Manuela Fonseca

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Apresentação do meu livro "O Último Beijo" - Dia 12 pelas 17horas, em Bobadela



Queridos amigos,

no próximo dia 12 de Maio, pelas 17 horas, no "Comicios & Bebicios", na Bobadela, junto à farmácia, terá lugar uma apresentação do meu novo livro "O Último Beijo". Será apresentado pela amiga, poetisa e escritora Mel de Carvalho, com muita honra minha.A editora é a Temas Originais, a quem muito agradeço, desde já, todo o trabalho, paciência e simpatia que têem tido comigo.

"O Último Beijo"
(Romance)

Se puderem, apareçam! Será um enorme prazer receber os amigos e conhecidos desta e de outras casas.

Muitos beijinhos a todos*

Manuela Fonseca

sexta-feira, 30 de abril de 2010

"Os artistas da Almofadinha Verde" de Pedro Leitão




Hoje pelas 18.30h, na escola da Bobadela EB1 JI Nº3, o autor Pedro Leitão fez uma sessão de autógrafos e Apresentação do seu novo livro "Os artistas da Almofadinha Verde". Estive presente nesta sessão, acompanhando o meu neto mais novo de 7 anos, o Leandro.

Estive uns minutos à conversa com o autor e, pela simpatia, ofereci-lhe um exemplar do meu 2º livro.

Nunca tinha ido a uma Apresentação de leitura infantil, apesar de ter histórias infantis da minha autoria. Fechei-as na gaveta e hoje gostei do que vi e ouvi.

Quem sabe?...

Deixo aqui algumas fotos que partilho com os amigos.

Um abraço ao Pedro Leitão!

Manuela Fonseca

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Abstenho-me de Verbos Imperfeitos


Abstenho-me de Verbos Imperfeitos

Conjugados no Pretérito

Perfeito da Vida

Pelo Presente do Indicativo

Rebolado num Passado

Mais que Perfeito

De um Futuro Conjuntivo


Manuela Fonseca

domingo, 18 de abril de 2010

Lançamento do livro " O Último Beijo " - Com Apresentação de Paulo Afonso Ramos





Apresentação do Romance: O Último Beijo de Manuela Fonseca
Lisboa, 17 de Abril de 2010

Por: Paulo Afonso Ramos

Introdução:

Peço-vos que não considerem as minhas palavras como uma apresentação, mas antes como um olhar sobre a obra que a Autora Manuela Fonseca nos escreveu.
Os livros devem ser sentidos, tocados, e de todas as minhas palavras que possam aqui ser reveladas, nunca vos chegarão tão bem como esse ritual. Nunca as palavras serão melhores do que a relação de cada leitor com o seu livro, enquanto o agarra e o desfolha, para o poder saborear enquanto o lê. Nunca! Mas tentarei o meu melhor. Tentarei decifrar, ao meu modo, essa relação entre um livro e o leitor que é tão intimista. Foi assim que o senti. E é disso que venho falar-vos. Do meu melhor de emoções sentidas!

Capa: - Não podia deixar de referir a capa, melhor, a imagem da capa-primeiro por ser uma escolha feliz que resulta perfeitamente, das mais bonitas que vi, e que está muito bem enquadrada com o teor do livro, depois por ser uma escolha da autora e por último, por ser um quadro do Leon Girardet-pintor e poeta francês do século XIX que viveu de 1857 a 1895.

Trilogia: - A minha linha de apreciação / As razões pela minha opção deste caminho em tributar:

Este romance, um rico e elegante tributo à amizade, está muito bem organizado e tem uma particular incidência nas várias trilogias que acontecem. Vejamos as que considero como as primeiras três partes:

* A narrativa
* A poesia
* E a epistolografia

A narrativa, quanto a mim muito bem conseguida, é-nos apresentada cheia de imagens e muito envolvente. De leitura acessível tem uma forma estranhamente familiar que nos agarra desde o primeiro momento. Creio que a Manuela Fonseca soube encontrar o ponto certo, ou a linha condutora, que produzisse, da melhor maneira, estes efeitos.

A poesia, qualidade de Beatriz, a personagem principal, aparece nos momentos genuínos, algumas vezes para atenuar alguma tensão que a leitura provoca, porque este romance transmite uma realidade tão credível que, quase sem darmos por isso, estamos a viver a história intensamente.

E a epistolografia, a criação de missivas, ou a composição poética em forma de carta, que nos transmite o outro olhar, entre Beatriz e Inês, de uma forma segura e quase só possível neste registo.

Curioso é ver a excelente interligação entre as três partes, que, e muito bem, formam um todo.

Sobre este romance- "O Último Beijo" - gostaria de contar pouco, somente o imprescindível para despertar o vosso desejo de ler esta belíssima história. Que recomendo vivamente!

E como disse atrás, venho falar-vos do que senti: No início pareceu-me uma história forte de amizade entre duas mulheres/personagens, que, por causa da vida infeliz de uma delas, se desenrolam em cenários sucessivos.
Depois encontrei uma primeira trilogia, quase como na Divina Comédia de Dante, dividida nas partes: Inferno representado num casamento falhado - Purgatório lugar onde se purificam as almas, potencializado na relação de amizade dessas duas mulheres, Beatriz e Inês, e - Paraíso lugar de delícias onde Afonso vem dar luz/esperança à vida de Beatriz.

E recordo que, no global, já tinha referido a trilogia no sentido da: Narrativa/Poesia e a Epistolografia. Numa outra vertente ficou implícito: Casamento/Divórcio e Amizade, que, mais tarde, daria uma oportunidade a uma outra forma especial da amizade - o Amor.

Mas o romance não fica por aqui! Só isto, embora não fosse pouco, seria insuficiente. Até porque, chegado a este momento ainda não tinha entendido a razão do título - " O Último Beijo " - e o que se seguia, mexia com os meus sentimentos.
Aquelas sensações que sentia descritas no livro já eram minhas também, as lágrimas, não se prendiam mais. Entrar no capítilo V do livro, veio desmoronar aquela protecção que conseguia manter até ali.
Creio que a ternura desta escrita não deixa ninguém indiferente. Quando lerem este livro vão poder certificar o que vos digo. Sente-se a verdade das palavras, sentem-se os gestos e os desejos, para lá das imagens que o livro projecta.

O livro ainda nos traz ligações acentuadas à vida com constantes registos das músicas, dos livros e dos lugares da nossa terra.

Podemos, mais uma vez, nesta trilogia, verificar alguns exemplos:
Na música com as canções: "Pedra Filosofal" cantada por Manuel Freire; "Restolho" de Mafalda Veiga e "Fascinação" de Elis Regina.

Os Livros: "As Esquinas do Tempo" de Rosa Lobato Faria, "Até Que O Amor Me Encontre" de Charles Martin e "Não Me Olhes Nos Olhos" de Tina Grube.

E dos lugares: Lisboa, quando a Autora faz um enquadramento da personagem principal, Londres - (Mencionado por seis vezes, é talvez a cidade mais importante na vida de Inês) e Ericeira - que é a consagração emblemática de Beatriz e Afonso.

E, para não ser maçador, vou terminar os exemplos desta minha acentuada opção das trilogias, num último molde: As menções de frases ou ideias de vários nomes da literatura!

Fernando Pessoa - Poeta e escritor português, digo eu, o melhor de todos.

Paulo Coelho - Escritor, filósofo e letrista brasileiro, muito actual.

Sophia de Mello Breyner Andresen - Poetisa portuguesa das mais importantes do século XX.

O que me parece óbvio, é o facto de que, ilustrado com tamanhas referências, este objecto, enquanto livro, terá que merecer a nossa atenção. Não quero nem devo divulgar mais! Leiam o livro, por favor.

Notas finais:

Mesmo a terminar, gostaria de reforçar a ideia de sentir uma obra feliz, intimista e que teve, com certeza, o seu tempo de amadurecimento. Para que, agora, nós os Leitores, possamos ter o contentamento de a colher como uma fruta madura e muito, muito apreciada.

Explicar-vos ainda que o prazer que me deu ler e fazer esta Apresentação ou olhar de emoções sentidas, não tem palavras que o definam. Foi um contentamento constante, e por tudo isso, - "O Último Beijo" - até ao próximo, vai inteirinho para ti! Obrigado Manuela Fonseca, pelo convite que me fizeste para falar do teu menino, agora recém-nascido e os meus sinceros parabéns pelo que nos dás - um ímpar e valioso - captar dos sentidos.

" Como devem calcular, não sei das palavras certas para agradecer a esta Apresentação feita pelo amigo, escritor e editor Paulo Afonso Ramos! Sendo assim, restam-me as palavras comuns: Obrigado Paulo, com um grande Beijo, no teu coração! Não o último, certamente! "

Manuela Fonseca