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sábado, 30 de janeiro de 2010

O ROSTO E AS MÁSCARAS


Quando um poeta inferior sente, sente sempre por cadernos de encargos. Pode ser sincero na emoção: que importa, se o não é na poesia? Há poetas que atiram com o que sentem para o verso; nunca verificaram que o não sentiram. Chora Camões a perda da alma sua gentil; e afinal quem chora é Petrarca. Se Camões tivesse tido a emoção sinceramente sua, teria encontrado uma forma nova, palavras novas - tudo menos o soneto e o verso de dez sílabas. Mas não: usou o soneto em decassílabos como usaria luto na vida.

O meu mestre Caeiro foi o único poeta, inteiramente, sincero do mundo.

(1935?)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Reflexão...


Quantos vivem toda a vida sem descobrir o que sabem e amam?
Tantos.
Não ser um desses é essa a tua missão.

RICHARD BACH

Bom fim de semana a todos*

domingo, 3 de janeiro de 2010

Non Multa, Sed Multum


Já era tarde quando espreitei a rua pelas persianas entreabertas e o que mais me chateava era estar sempre incomodada com a ausência, à qual nunca me habituaria. Fechei os olhos e voltei a enrolar-me no cobertor castanho deixando escapar um sorriso de braço dado com uma lágrima.
O meu filho mais novo acordou e, esfregando um olho, rabugento pediu-me um copo de leite. Levantei-me, passei a mão pelo cabelo e peguei-lhe ao colo com todo o meu amor. Bebeu o seu leite e adormeceu nos meus braços, como todas as noites. Com cuidado, deitei-o na sua caminha. Eram tão lindos, os meus três filhos! Tão inocentes no seu sono tranquilo e profundo… Na casa de banho molhei o rosto com água fria e mirei-me ao espelho. Tão magra, olheiras profundas que emolduravam os meus olhos verdes e tristes. “Vou-me deitar, já passa das 2 horas da madrugada”. Nem sempre é fácil decidir.

Non Multa, Sed Multum

Há dias terríveis. Literalmente negativos. Uma porcaria de dias em que tudo nos corre mal! As coisas saem-nos ao contrário do que planeámos, os objectos caem-nos das mãos a toda a hora, e sabe-se lá o que mais. Depois, brota o mau humor, disparado às golfadas, a derreter a paciência de qualquer um que nos dirigiu uma piada inocente, sem má intenção. As horas decorrem sob aquela maldita tensão, atrás da qual se escondem razões que mais não são do que verdades caladas. À hora do almoço, os putos discutem, porque um tem isto e o outro não tem aquilo! “ Eu também quero! “ Como se o dar fosse um gesto sistemático e sempre a duo. Quando saem, é o silêncio. Porém, a tensão continua encurralada a um canto da mente.
À noite, as coisas pioram. Depois das aulas, vêm os TPC. Um diz que não tem, o outro quer ir para a rua. Volta suado. Sujo. Com pulseiras de elástico corrente, no pulso esquerdo. Os amigos também têm, é claro! “ Já para o duche! “ O mais novo, trouxe um teste para assinar. Amanhã, a reunião com a directora de turma. Lentamente, a tensão aprofunda-se…” Não é justo! “ Desabafo, baixinho. Desesperada. Sim, porque o pai pegou na “ mala de cartão “ e abalou para o outro extremo do Mundo e quem cá ficou que se desenvencilhe!
É claro que eu não concordo com este tipo de vida. Digo que é coisa de pobres. Um misto de cobardia e incompetência patriotas. Porque se há-de pensar tanto no futuro, virando costas ao presente? Será que toda essa preocupação não é apenas uma imperiosa necessidade de afirmação pessoal? “ Sejamos sinceros, valha-nos isso! Basta de tretas, actos impensados, sacrifícios inúteis. No fim, um punhado de dólares na mão e és um homem a sério! Não importa se deixaste algo para trás, momentos por viver. Tudo isso se recupera tão depressa, não é? E quando voltares, lá estaremos nós à tua espera no aeroporto para ver a tua cara de homem a sério! É a vida… Pobre teoria! “ Eu escrevo, tentando libertar-me daquela velha angústia e solidão. Inalteráveis. O que se perdeu, está perdido. O que vier depois disso serão momentos novos. Interligados aos velhos, é certo, mas absolutamente novos.
E o sofrimento do mal que isso faz, fica-me cá dentro do peito. Como uma lapa que se incrusta no rochedo… E, em dias não, sobe-me ao pensamento para me lembrar que o bem do amanhã me custará o mal do hoje.
“ Ainda hei-de ser muito feliz! “ Acredito mesmo nisso? Sei lá… Sei que acredito em poucas coisas, mas que todas elas têm algo de importante. “ Non multa, sed multum “…


Manuela Fonseca

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo 2010!


Meus amigos,

Que o Novo Ano 2010 seja muito próspero e vos traga muitas concretizações da lista de sonhos e desejos que todos nós fazemos...ou tentamos imaginar como se faz.

Doze passas, uma taça de champanhe e... Vamos acreditar!

Beijinhos no coração de todos***

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Até já...


Apetece-me escrever sobre o que me vai na alma, no coração e talvez – porque não? – na razão. Tenho o hábito de ser fiel a mim mesma, de seguir os meus passos aonde me quero encontrar e, por isso, não me digam como o devo fazer. Deixem-me, simplesmente, fazê-lo sem me inquietarem os sonhos, as memórias, os desejos…
No coração tenho recados de mim que nem sempre me apetece falar deles – sabe-se lá porquê – mas hoje quero conversar contigo sobre os meus recados de coração. Quero dizer-te que tenho papelinhos escritos em tinta permanente, daquela que jamais se deixa apagar, colados do lado direito e no lado esquerdo tenho os sonhos, os desejos loucos de ser quem sou, onde sempre me finjo ou fujo para não incomodar os acomodados ou limitados.
Preciso de ir à sala buscar uma dose de licor de merda e meia dúzia de chocolates só para saberes como me trato quando me escancaro assim. Volto já…
Talvez depois das Boas Festas, onde as festas boas são de enganos engenhosamente coloridos.
Até já…
Manuela Fonseca

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O Natal...


O presente... nem sempre é possível "aquele" presente.
Que te posso ensinar sobre o Natal?...
O Natal é um estado de espiríto, não uma data.
O Natal é em Dezembro e Dezembro é diferente, por isso.
O Natal são os amigos que nos aquecem.
O Natal também é a família que "não" escolhemos, mas que é a que temos...
O Natal perturba porque já sofremos neste tempo natalício.
O Natal alegra porque somos felizes e sempre o fomos.
E, por vezes, o Natal passa por ser mais um dia em branco nas velhas bolas enroladas em fitas douradas.

E, por fim, lá engordamos mais um kilinho se cedemos à tentação das coisas doces que não encontramos nos corações, mas que nos espreitam em cima das mesas...

Feliz Natal!

Nélinha ***