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domingo, 22 de março de 2009

A minha fúria selvagem




Mar revolto que me açoita ao bater naquelas rochas, além…
Escorregando toda a minha fúria
Em cada investida da espuma que me aclara a dor

Mar revolto do pensamento lapidado
Alimentado em desejo sóbrio
De penas enroladas à vida

O mar conhece a resposta selvagem
Que a esquina dos gigantes penedos da minha saudade
Agarra os cabelos aos dedos de tantas mágoas

Fúria que me alimenta em dias pares!
Olhar que atinge o limite da minha coragem!

Ah, mar revolto da minha alma decadente!

Manuela Fonseca

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

VOU CASAR NO DIA 23 DE MAIO!!!


Eu não sei falar de casamentos, sei que se compram roupas, acessórios, marca-se o local, o dia, as horas... E, como convém, diz-se o tão esperado SIM. Ensinaram-me, também, em certas alturas da vida, a dizer NÃO. Podem não acreditar, mas estou baralhada. Não é o meu 1º casamento. Porém, no 1º eu disse SIM. Contudo, mais tarde, passei a vida a dizer "NÃOS". Afinal, quando se diz SIM é SIM ou pode mudar, mais tarde, para NÃO? Bom, como sou uma eterna romântica, agora vou acreditar no SIM!

Foram Não's por aí
Agachados nos Sim's
Foram luvas de cetim
A descombinar
Mãos arrojadas
Foram palavras secas
Foram estrelas a bailar
Na violência do gesto

Digo bem...
Foram...

Hoje, sinto pétalas vermelhas
A roçarem o meu sorriso aberto
Não quero mais luvas de cetim!
Quero um enorme Sim
A abraçar o meu olhar
No carinho de um simples beijo...

Manuela Fonseca

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

SOBREVIVENTE AO ROMANTISMO


Recebi este selo de Marta Vasil (http://luar1956.blogspot.com/)a quem agradeço com muito carinho e amizade.

Com este pequeno prémio pretendemos honrar as pessoas que ainda se regem pelo coração, que percebem o que é o verdadeiro amor, que lutam por ele e o conseguem transmitir na sua escrita.

Este prémio obedece às seguintes regras:

1)exibir a imagem do selo

2)linkar o blog pelo qual se recebeu a indicação

3)escolher outros blogs a quem entregar o prémio

Sobrevivente ao Romantismo

Assim entrego este prémio aos seguintes blogues:

http://ocantodarosa.blogspot.com/
http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com/
http://stoneartportugal.blogspot.com/
http://jmbrazao.blogspot.com/

Manuela Fonseca

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

...e o meu Natal foi assim


…e o meu Natal foi assim

Cheio de sorrisos e gritinhos de crianças
Repleto de família ao redor do bacalhau com todos
Seguido das filhós de cenoura e do tronco de chocolate

Retiraram-se os pratos, talheres, copos
Guardanapos, travessas e o azeite
Aquele que a minha mãe tanto gosta…
Para dar lugar aos doces e ao centro de Natal
Com velas douradas e azevinho solto

As crianças pediam a chegada do Pai Natal
Impacientes para descobrirem o que trazia
Naquele saco vermelho, já velhinho
E com tantas histórias escondidas
Nos quatro cantos do nosso mundo

Primeiro fazemos um brinde ao amor!
Depois rasgamos papéis e descobrimos ternuras
Camufladas nos laçarotes reciclados
Trocamos sorrisos de cumplicidade
E num abraço baixinho e brilhante de lágrimas:

“Será que não lhes falta a paz?
Será que sobraram abraços estendidos pelas ruas?
Será que sentem a presença quente do pão?”

…e o meu Natal é sempre assim…

Manuela Fonseca

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

NATAL DOS ESQUECIDOS


Outro Natal que acontece anualmente como é próprio da sua eterna condição.
Nele o homem, ambulante da esperança,
surpreende-se ao ter contidas entre as mãos,
as vãs coisas que o separam da muralha
e, sózinho, na sua garganta, o grito estala.
Simples homem com o corpo de ausências,
que rasga a dor com seus ais interiores
e toma uns tragos apenas pra esquecer
que o mundo "matou" em si o seu lado criança,
na mais funda escuridão do desencanto.
O que num dia qualquer e sem história,
como tantos que ficaram estagnados
na redonda opacidade dos seus anos,
caminha pelas ruas do esquecimento,
e na longa avenida das lembranças
ainda chama pelos nomes dos amigos e ao seu próprio gesto último de crença,
dos que se esquecem de raízes e aconchegos
porque agora é só pedra e é quietude
na multidão que lhe ignora a presença.

Ceres Marylise