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segunda-feira, 4 de abril de 2011

A QUINTA FASE DA LUA


Atravessei o vale da noite

Com a alma pendurada no olhar

O sorriso amarrado à cintura

Nas pernas o tombo do cansaço

De quem bebia à volta do prato

E picava as migalhas

Sob um convite lunar

Quando os cabrões me deixaram

Os restos mortos de um planeta

Meditei-me na intensa escuridão

Sobre o sossego espaçado

Da quinta fase da lua

Insanidade profetizada

A erigir bandeiras

De palavras prostitutas


Isenta de afectos

Reapareci-me

Nessa quinta fase

De uma lua ignorada

Efeitos colaterais

De Lugares Santos.


Manuela Fonseca


sexta-feira, 25 de março de 2011

Um dia, fui ninguém...


O mundo só existe para quem pode comer pão barrado com alegria que se solta dos sorrisos cúmplices das gentes simples.
Aperto os ombros com saudades de mim em tempo de passados eternizados por um divã, onde o sono me apanhava antes de o sonho me atingir a alma.
Recordo-me, vagamente, de ser tão sozinha quando brincava com as conchas da sopa que a minha mãe fazia.

Sinto saudades do que nunca tive.
Lembro-me da casa da minha sogra, em Travancinha. Tinha um postigo por cima do lava loiça e eu levantava a cortina de chita já velhinha, sorrindo ao verde da erva ali pousada. Às 6h da tarde espreitava as ovelhas por esse mesmo postigo, com a felicidade de saber que elas existiam, fingindo que estavam ali só para mim. Era uma casa tão pequenina mas onde me sentia tão bem.
Nunca mais a verei…

Lembro-me do prato antigo onde a minha mãe deitava a farinha Amparo e de como eu o rapava, feliz! Eu era feliz, mesmo sentindo aquela solidão que me frisava o olhar quando levantava a cabeça e via em cima do móvel as bonecas proibidas de mexer.

Um dia, fui ninguém…
Ninguém, continuo a ser…

Manuela Fonseca

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Conheço...


Conheço o que digo.
Conheço o que sinto.
Conheço o que faço.
Sou íntima do meu sorriso.

Mas não conheço o meu caminho...
Estou cansada de aprender-me.

Manuela Fonseca


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O amor traiu-me!


O amor andava nas esquinas
Silencioso
A enganar-me o coração
Espreitava-te ao virar da curva
De cada vez que o olhar o abafava

Caminhava no meu vagar
Sem me deixar a descoberta do conforto
Ao ver-te
Como o sentimento forte de ter chegado a casa

O amor traiu-me
Num dia de Inverno
Aquele dia em que dividimos as nossas fontes
E eu caí dentro da tua alma
Sem saber que te amava…

Zanguei-me com esta paixão
Empurrei o cupido culpado
E continuo a sentir-me traída
Por mim própria
Pelos sentimentos
Pelos olhares
Pelos abraços
E pelo beijo que sempre tarda
E nunca chegará.

Manuela Fonseca

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo - 2011



Que o Novo Ano 2011 traga muita paz e esperança unidas à saúde, a todos os amigos
deste meu cantinho.
Beijinhos de amizade,
Manuela Fonseca

terça-feira, 26 de outubro de 2010

A minha bússola da Amizade é feita de um ouro especial...


Boa tarde Manuela

Adorei o encontro no passado dia 16 de Outubro. As suas palavras emocionaram-me como há muito já não acontecia, porque vivemos sobretudo num mundo, onde as pessoas são indiferentes umas às outras, provocando o aniquilamento de qualquer diálogo.

E ali naquele espaço onde as palavras e os sentimentos fizeram uma ponte nasceu uma realidade diferente, onde o diálogo, a partilha e a amizade tiveram primazia.

Espero reencontrá-la de novo no lançamento do seu livro, e, ou, noutras oportunidades.

Vou-lhe enviar o poema que lhe dediquei. Grata pela sua atenção e amizade.

Cordiais cumprimentos

Paula Costa




"Breve brisa

que acaricia

as copas

das árvores

que derivam

ao sabor

de sentimentos

alheios

Breve poder

estar sem pressas

aproveitando

o momento

enriquecido

pelo esplendor

único do mundo

construtivo

embalador

nas horas de sossego."

15/10/2010


Este poema é para lhe agradecer o encontro onde as palavras ganharam dimensão


O encontro foi surpreendente

As suas palavras ecoaram

no coração de cada um

na emoção sentida e vivida

na alma do subtexto

onde o rio flúi

onde a água

em todo o seu conjunto

é derramada

num grande oceano

de profundas harmonias

proliferadas

no principio do bem-estar

É importante que assim seja

para que possa haver

o equilíbrio no mundo.


18/10/2010

Paula Costa

(Paula, grata por este carinho e amizade.
Retribuídos com toda a minha ternura!
Beijinhos e um longo abraço
Manuela Fonseca)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Filho da Lua


Que poderei eu fazer

A não ser deixar queimar o medo

Em fogo secreto que acendo

E calar este silêncio na cor da noite

Dizimar horas que me separam

Em distâncias baloiçadas

Abandonadas


Talvez um dia escale a sua montanha

A mais íngreme do mundo

Deixar que o vento me rasgue

Sorrisos rasteiros

Onde escorreguem solidões

Por penhascos agrestes

Contemplando a península estendida até Lisboa

Prateada


Se eu pudesse dizer

O que sinto agora

Se eu soubesse achar o caminho

Do Filho da Lua

Os seus pensamentos irrequietos

Na travessia do Tejo

Seria a autora do seu destino


Se eu soubesse andar para trás

Subir aos calvários e trazer nas mãos

O calor do olhar da Filha da Terra

Como num livro que tivesse escrito

Sentada nas estrelas de um jardim céltico

Perdido e encontrado

Nos olhos que vi



Ah, Filho da Lua

Se eu soubesse…

Manuela Fonseca