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terça-feira, 24 de novembro de 2009

No crepúsculo dos teus ombros


No crepúsculo dos teus ombros
Ajoelhei a minha tristeza
E apedrejei a minha mágoa
Rasgando todos os silêncios
De secretas ombreiras
Onde me estatelaste
Na fúria podre e embriagada
Da possante inferioridade
Onde a alma tua desmaiava…

No crepúsculo dos teus ombros
Enalteci as minhas vontades
E arrecadei as pedras das minhas mágoas
E com elas reconstruí
Aquele a que eu chamo o Eu de Mim

E as ombreiras descobertas
Em noitadas ébrias de passados
Romperam a fútil inferioridade
De anos arrecadados…

Manuela Fonseca

domingo, 15 de novembro de 2009

Aquela rosa branca


Foi naquela rosa branca
Que me perdi em mim
Num dia em que a chuva
Me negou aquele abraço

Podia ser de tristeza
Sem a vontade esperada
Mas seria o olhar abraçado

Aquela rosa branca
Que nunca me chegou ao coração
Por ausência
Propositada

A rosa branca desejada
Que eu sentia entrelaçada
No abraço que não aconteceu

Ainda espero a rosa
Porque o abraço
Esse anoiteceu...

Manuela Fonseca

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Estrada de coragem


Esta vida é uma merda!
Uma enorme vontade de fugir e não ser capaz
Depois, sem esperar
Ali está uma larga estrada de coragem
Suja de alcatrão em forma de rosa
Só para nos enganar

A mentira que se mascara de verdade
E sai à rua com planos de ruína

E lá em cima movem-se nuvens azuis de meditar
E o sol, as estrelas, os planetas
Todo um universo gigante de cores e luzes
Onde parece que, às vezes, não cabemos

Não parti nenhum espelho
De reflexo reflectido em anos paridos de fome
De esquinas riscadas de sede

Quero fugir contigo, irmão!
Encontrar o caminho da estrada de coragem
E mostrar-te a vertigem desta vida…

Manuela Fonseca

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A prenda que eu queria


Se tu me entendesses,
Meu amigo
Se tu me entendesses
Eu podia falar contigo,
Não na tua linguagem, mas na minha...

Podia até rir contigo
Contar-te histórias
De estrelas e pássaros

Se tu me entendesses
Se tu pudesses regressar até a mim
Subindo ou descendo
Eu podia abraçar-te sem mais nada
Só abraçar-te!

Se tu me entendesses
Eu ficava tão contente
Que o meu riso havia de alegrar
O teu mundo triste...

Se tu me entendesses
Eu...eu sei lá!
Se tu me entendesses
Eu fazia-te carinhos
Andava contigo de mão dada
Cantávamos juntos a canção da vida
Corríamos pela erva verde...

Se tu me entendesses
Ah, se tu me entendesses!...
Não me criticavas
Não me davas ordens
Não me magoavas!

Se tu me entendesses
Neste dia que dizes que é meu
Se tu, realmente, me entendesses
Não querias fazer de mim
Alguém igual a ti
Respeitavas-me como sou
E eu dava-te um beijo!

Quem sou?
- Um ser humano do nosso mundo...

( Texto retirado da Unidade de Pediatria, do Hospital de Santa Maria em 19/07/2003 )

Um grande beijinho a todas as crianças, em todos os dias das suas vidas!

Manuela Fonseca

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Um modo de lar... ( Vila Flor - Nabo )




A sua terra
Era a sua forma de estar
Foi o seu refúgio
Um modo de lar…

Dançou a dança da vida
Na teimosia de uma dor
Que os anos vindouros
Acenariam o adeus com amor

Foi com pena e vagar
Que devagar
Numa lágrima a deslizar
Ela o veio buscar…

E ele foi…
Cansado de lutar.

Paz!







Manuela Fonseca
12/10/09

terça-feira, 6 de outubro de 2009