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Domingo, 29 de Maio de 2011

APRESENTAÇÃO DO LIVRO "POESIA SEM REMETENTE" DE MANUELA FONSECA POR EMANUEL LOMELINO


Poder-se-á falar de poesia sem falar do autor? A resposta é afirmativa, no entanto, no caso deste POESIA SEM REMETENTE, a tarefa é árdua e bem mais complicada, não só pelo conhecimento que tenho da autora, mas sobretudo, pela dificuldade em distinguir o que é âmago e estro da poetisa.

Sendo certo que um criador, seja qual for a arte, deixa sempre um pouco de si em cada criação, não é menos verdade que alguns deixam quase tudo fazendo do objecto criado uma extensão de si próprio. Mesmo sendo o poeta um eterno fingidor, não é raro encontrar quem empregue elevadas doses da sua realidade no processo criativo. Sei que a minha próxima afirmação não é consensual mas creio que este estilo de criação, em que o autor não se separa da pessoa física que é, transforma o objecto criado num veículo de aproximação entre o autor e os seus leitores.

Neste caso concreto, que nos traz hoje aqui, independente da consciência, ou não, desse feito, a autora oferece-nos uma poesia de quase confissão através da qual se desnuda, revelando-nos o seu sentir mais reflexivo, intimista e, atrevo-me mesmo a dizer, mais humano.

Para quem tem o privilégio de conhecer pessoalmente MANUELA FONSECA, não será difícil encontrar, em cada um dos poemas deste livro, uma ou mais características que a definem e identificam. Para além do SER pensante, preocupado, inquiridor, inconformado e, até mesmo, rebelde, encontramos vestígios da mulher afável, carinhosa, meiga, sentimental e apaixonada.

Cada um dos oitenta e um poemas deste livro é-nos oferecido como peças de puzzle que juntas nos dão o retrato quase perfeito da autora que, tal como nós, tem virtudes e defeitos, sonhos e utopias, alma e coração.

Se atentarmos mais em pormenor esta obra, verificamos o quanto de telúrico ela comporta e o grau de emotividade nostálgica que suporta esse telurismo.

Se mergulharmos bem fundo na poesia de MANUELA FONSECA, vamos sentir cada poema como uma vaga de sentimentos, que também são os nossos.
E é neste ponto que reside, quanto a mim, o maior trunfo da autora; a capacidade de descodificar a humanidade usando as suas percepções como fonte de ingnição ao nosso pensamento. Haverá algo mais importante num livro que a capacidade de nos fazer reflectir?

Este livro pode conter POESIA SEM REMETENTE mas ninguém negará a existência de destinatário para cada um dos poemas que o compõem. A poesia deste livro não é para ninguém em particular, é para todos nós, leitores. Se soubermos ler cada palavra, cada verso, cada poema, se soubermos interpretar cada sentimento, pranto ou grito, cada alegria, sorriso ou gargalhada, então saberemos quem é MANUELA FONSECA na mais genuína das suas formas.

Emanuel Lomelino

28/05/2011



Sexta-feira, 13 de Maio de 2011

Ruy Alberto Rebelo Pires de Carvalho


Ruy de Carvalho inicia-se no teatro, como amador, em 1942, no Grupo da Mocidade Portuguesa, com a peça "O Jogo para o Natal de Cristo", com encenação de Ribeirinho. De 1945 a 1950, frequentou o Conservatório Nacional, cujo Curso de Teatro/Formação de Actores terminou em 1959, com 18 valores.

Estreou-se profissionalmente, em 1947, no Teatro Nacional (Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro), na comédia "Rapazes de Hoje", de Roger Ferdinand. Em 1950 ficou conhecido pela sua interpretação de Eric Birling em "Está lá Fora um Inspector", de Priestley (1951), estreado no Teatro Avenida. Nesse mesmo ano ingressou no Teatro do Povo (mais tarde Teatro Nacional Popular), onde faria todas as temporadas de Verão, sob a direcção de Ribeirinho, até 1958. Importante actor da sua geração, fundou, em 1961, o Teatro Moderno de Lisboa, um grupo teatral progressista, que revelou autores nunca representados em Portugal, à revelia da censura. Em 1963 foi para o Porto, assumindo a direcção artística do Teatro Experimental do Porto (TEP), onde realizou a sua única experiência como encenador, em "Terra Firme", de Miguel Torga.

Fez ainda parte de outras companhias, como a companhia de Laura Alves, a Companhia Rafael de Oliveira, Artistas Associados ou a companhia sediada no Teatro Maria Matos, com as quais efectuou digressões ao Brasil e a África. Em 1977, esteve no relançamento do Teatro Nacional D. Maria II, cuja companhia pertenceu até à sua extinção. Trabalhou com Filipe La Féria em espectáculos como "Passa Por Mim no Rossio" (1992), "Maldita Cocaína" (1994) ou "A Casa do Lago", de Ernest Thompson (2002).

Interpretou outros autores como Molière, Tennessee Williams, Bernard Shaw, Anton Tchekov, D. Francisco Manuel de Melo, Eça de Queirós, Luís de Sttau Monteiro, Luiz Francisco Rebello, entre outros. Cumprindo um velho sonho, protagonizou em 1998, sob a direcção de Richard Cotrell, o clássico Rei Lear, de William Shakespeare, integrado nas comemorações dos 150 anos do Teatro Nacional e dos 50 anos da sua carreira de actor.

Em Espanha participou no concerto de encerramento da temporada do Teatro Monumental de Madrid, intitulado Orfeu, com textos de Fernando Pessoa e música especialmente concebida para si pelo compositor Pablo Rivière. A convite do encenador Simon Suarez, foi protagonista da ópera Fígaro, de José Ramon Encinar, levada à cena no Teatro Lírico La Zarzuela.

A sua actividade estendeu-se igualmente à rádio e à televisão, tendo participado, nomeadamente na RTP, no Monólogo do Vaqueiro (1957), séries e novelas.

No cinema, estreou-se em 1951, com "Eram 200 Irmãos", de Armando Vieira Pinto, mas foi nos anos 60 que o seu trabalho se tornou mais relevante nesse campo. Da sua filmografia destacam-se "Pássaros de Asas Cortadas", de Artur Ramos (1963), "Domingo à Tarde", de António de Macedo (1965) que também o dirigiu em A Bicha de Sete Cabeças (1978), "O Cerco", de António da Cunha Telles (1969), "Cântico Final", de Manuel Guimarães (1974), "O Processo do Rei", de João Mário Grilo (1990), entre outros. Com Manoel de Oliveira deixou marca em "Non ou a Vã Glória de Mandar" (1990), "A Caixa" (1994) e "O Quinto Império - Ontem Como Hoje" (2004). Para além dos seus filmes como actor, Ruy de Carvalho tem emprestado a sua voz, diversas vezes, ao cinema. Participou também em numerosos teatros radiofónicos e trabalhos de dobragem de desenhos animados.

Ruy de Carvalho recebeu Prémios de Imprensa para o Teatro (1962, 1981, 1982, 1986); Prémios de Imprensa para o cinema (1965, 1966, 1971); Prémios da Crítica Especializada (1961, 1962, 1964, 1965, 1981); foi nomeado, em 1987, para o Prémio Garrett da Secretaria de Estado da Cultura. Em 1990 foi-lhe atribuída a Medalha de Mérito Cultural. Em 1993, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Em Março de 1998, com o grau de Comendador da Ordem Militar de Santiago da Espada. Em 1998, é galardoado com o Globo de Ouro para a Personalidade do ano. Foi galardoado com o Prémio Luís de Camões da Universidade Lusíada, o Prémio Byssainha da Fundação Byssais Barreto. Em 1999, é galardoado com o Globo de Ouro de Melhor Actor.

Foi Presidente do Conselho Nacional para a Política da 3ª Idade e mandatário da campanha de candidatura de Pedro Santana Lopes à Câmara Municipal de Lisboa.

Viúvo, tem dois filhos e três netos, tendo um dos filhos seguido a mesma carreira - João de Carvalho.

RUY DE CARVALHO - UM ACTOR PORTUGUÊS!