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Terça-feira, 26 de Abril de 2011

Os meus pés nus acrescentam sorrisos


Os meus pés nus acrescentam sorrisos
À púrpura do caminho que percorro
Em gestos afagados de ternura
Asas de anjo vestidas de arganaz
Palmilho os anos de uma vida a crescer
E na esquina de cada passo
Deslizo o amor que me acompanha
Em sentido único.

Manuela Fonseca

Segunda-feira, 11 de Abril de 2011

ENSAIO


Poderia escrever uma cronologia
Fazer uma análise
Uma síntese
Ou até uma auto biografia.
Mas não. Não me apetece.
É muito tarde
E os músicos não param de tocar
Melodias estranhas
Acordes saltitantes
Denunciados por um violino
Contorcido
Que já perdeu o tom.

As pausas são como são…

Amanhã é sábado
E o domingo já passou.
Mas se um dia eu escrever
Algo sobre ti
Terei que pensar muito bem
Em como vou dispor a tua vida
Se narro os anos antes dos acontecimentos
Ou os acontecimentos antes dos anos.
Os meses, os dias, as horas…
Esses não contam.
Tal como os nomes dos lugares
Das pessoas, das terras…

Alguém costumava afirmar
Que quando se escreve
Tem que se sentir o que se escreve
Porém, sob o ponto de vista de Pessoa
A coisa é bem diferente
Sentir? Sinta quem lê!
O mais importante são os acentos das palavras
E a pontuação das páginas.
E o Fado!
O Fado que existe em toda a literatura portuguesa.
E a musica surgirá através da alma do teu olhar.

Mais adiante, haverá tempo para um poema adequado…

Manuela Fonseca

Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

A QUINTA FASE DA LUA


Atravessei o vale da noite

Com a alma pendurada no olhar

O sorriso amarrado à cintura

Nas pernas o tombo do cansaço

De quem bebia à volta do prato

E picava as migalhas

Sob um convite lunar

Quando os cabrões me deixaram

Os restos mortos de um planeta

Meditei-me na intensa escuridão

Sobre o sossego espaçado

Da quinta fase da lua

Insanidade profetizada

A erigir bandeiras

De palavras prostitutas


Isenta de afectos

Reapareci-me

Nessa quinta fase

De uma lua ignorada

Efeitos colaterais

De Lugares Santos.


Manuela Fonseca